segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Devolvendo abraços - IJ

Sei que o Teu amor dura para sempre e que a Tua fidelidade é tão firme como o céu. Salmo 89:2

−Quero que você me devolva todos os beijos e abraços que lhe dei – disse Ronaldo, do outro lado da mesa.

A esposa, Lizandra, arregalou os olhos, que ficaram marejados de lágrimas. Ela havia pedido o divórcio e estavam conversando amigavelmente sobre a divisão dos bens, guarda das crianças, entre outros detalhes.

O marido a surpreendeu com tal frase. Como ela poderia devolver os beijos e abraços que o marido lhe dera no decorrer de todos aqueles anos? Foram tantos os gestos de carinho compartilhados em seus melhores momentos e, também, nos mais difíceis...

− Isso é impossível – ela disse, torcendo para que os olhos não derramassem lágrimas. – Não há como lhe devolver beijos e abraços.

− Eu os quero de volta. Cada um deles! – insistiu o homem. – Sem eles não aceitarei o divórcio – os lábios dele se esticaram num sinal de sorriso, e a esposa também sorriu, pois era uma das características que mais amara nele desde a primeira vez que o vira.

– Eu aceito o pagamento em parcelas. Se você quiser, pode começar a devolver agora – respondeu Ronaldo com convicção.

Sem acreditar no que estava fazendo, Lizandra se levantou da cadeira, deu a volta na mesa e sentou-se ao lado do marido. Devolveu-lhe, então, um grande abraço. Ronaldo retribuiu, envolvendo-a em seus braços. Ambos choraram, pois foram tomados por um turbilhão de lembranças. Os abraços de amor, carinho, consolo, reencontro, alegria e tristeza do passado voltaram naquele gesto.

− Eu deixo você ir, quando você me devolver todos os abraços – Ronaldo falou baixinho, com o rosto molhado, enterrado nos cabelos da esposa.

Muitas vezes brigamos com quem amamos. Às vezes, nós magoamos ou somos magoados. Todo relacionamento é assim, mesmo entre grandes amigos, pais e filhos ou pessoas que juraram amor eterno.

Apesar da possibilidade de ressentimentos e dificuldades, não desista de amar persistentemente. O escritor Antoine de Saint-Exupéry, autor do clássico infantil O Pequeno Príncipe, certa vez registrou que “o verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá, mais se tem”.

Se você está triste com alguém, procure-o e lhe devolva o abraço mais apertado que um dia recebeu dele. Lembre-se da história que construíram juntos e por quantos momentos bons e difíceis passaram. Não deixe que as dificuldades e problemas destruam seu relacionamento.

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